sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O retrato

Ele gostaria de dizer que sente muito por tudo. Que queria ter conseguido amá-la como ela o amou. Respeitá-la como ela o respeitou. Que sabe que o sobrenome dela seria o melhor para os filhos dele. Que deveria ser menos egoísta. Que ele ainda guarda o retrato deles porque ela foi e sempre será muito especial. Que ele sonha com ela todas as noites. Com todos os aniversários, natais e viradas de ano que passariam juntos. Com os cigarros queimados durante as conversas em que mais pareciam duas criancinhas. Que apesar dos anos que os separam - e, principalmente, apesar de não parecer - ele sempre respeitou as opiniões e as idéias dela. Que, se ele a procurou, depois de todo o sofrimento que causou, foi porque realmente gostava da companhia dela, de estar perto dela.

Mas ele sabia que falar tudo aquilo não mudaria nada. Ele continuaria desrespeitoso e não conseguiria amá-la como ela merecia. Não poderia viver tantos momentos quanto deveria. E, por isso, preferiu trilhar seu caminho sem ela. Deixar para trás tudo o que passou e seguir em frente. No caminho, encontrou ajuda para que tudo não fosse tão difícil e, como diria Roland de Gilead, seguiu adiante.

Apesar de tudo, ele não pode guardar aquele retrato. Porque aquela é a representação do tempo em que a tranquilidade e a alegria dominavam o dia-a-dia dele. Aquele retrato o faz lembrar de alguns dos melhores dias de sua vida. Que o faz lembrar que a felicidade realmente existe.
Assim, ele continua sem olhar para trás. Mas mantém sempre a sua frente - e a frente de todo mundo - o retrato. E, por mais que talvez olhar para aquele retrato seja errado, ele vai continuar olhando. Não importa o que aconteça. Não importa o que se faça!

Um comentário:

carolinda disse...

olha, este aí, se eu fosse ela entrava em depressão de saudade de ti.Poruqe foibonito.

;)