sábado, 3 de julho de 2010
Uns mais iguais que os outros!
Bom. Chega de blablabla. Copio o texto dela abaixo. O original está aqui. É um ótimo resumo para a geração que nasceu dos anos 1980 e tiveram o privilégio de conhecer a obra do Humbertão. Ah, claro. Bisbilhotem bastante por lá. Tem muita coisa bacana.
Cena 16: Aumente o volume e aperte o play!
Ela não se recorda exatamente da ordem dos fatos, sua memória com o passar do tempo, tem preenchido as lacunas com um bocado de imaginação. Portanto, ela imagina que as coisas tenham se passado quase assim:
"Em uma manhã sem importância em uma semana sem importância, no final dos anos 90, ouviu no rádio da sala dos sofás vermelhos algo completamente distoante do que havia ouvido até então. Era um ritmo pulsante, vibrante, alegremente triste - mágico instante."
"Longe Demais das Capitais":
Tratava-se de uma banda gaúcha nascida no início do anos 80 onde toda a rebeldia juvenil ganhara fôlego nas influências entrangeiras que gritavam de forma intensa no peito de quem queria ser ouvido.Era o Rock'n'Roll confirmando as suas raízes em solo tupiniquim, incentivado pelos ensandecidos e pelos cansados de idolotrar os mesmo ídolos que seus pais.
Essa banda, continha músicas repletas de ironias, críticas e analogias inspiradas em Filosofia, História, Política, Folk, The Police, Rush e Pinky Floyd - coisas que ela só descobriria mais tarde, naquele primeiro momento, bastava o fascínio exercido pela melodia e pelo timbre dos vocais. De qualquer forma, gravou a poesia das letras na memória e quando a sua própria revolta juvenil se tornou mais evidente, essas canções estavam todas lá.
Essa mesma banda foi o caminho para todas as outras, de décadas anteriores ou posteriores, todas estavam de alguma forma conectadas a essa que muito antes já exercia nela fascínio ímpar.
"Simples de Coração":
Quase uma década mais tarde dessa descoberta fortuíta, ela encontrou aquele a quem ousou chamar de "A Lenda". O coração entrou em disparo acelerado, as mãos tremiam, a garganta secou e tudo o que conseguia racionar naquele breve momento não passava de "Ele existe!"
Desaprovou o moicano exagerado e o dente de ouro que ele agora exibia, e assim aquele instante ficou registrado numa capa autografada de cd e numa fotografia onde a sua tensão ficou visível pelos lábios que não conseguiu parar de morder até sangrá-los (hábito que ela ainda repete masoquistamente até hoje).
"Somos Quem Podemos Ser":
Muitas histórias suas foram cantadas por essa banda, de "Terra de Gigantes" à "Refrão de um Bolero" passando por "Eu Que Não Amo Você", "No Inverno Fica Tarde + Cedo" e "Simples de Coração", todas essas e muitas outras se tornaram parte da sua trilha sonora particular, resultando hoje em um misto de admiração e nostalgia, fascínio e saudade.
"Lado a Lado":
"A Lenda" ainda existe, sua banda já não mais. Talvez voltem ou talvez façam apresentações isoladas, seja como for, a gratidão por ter injetado o primeiro acorde vibrante em suas veias ainda existe, e assim sempre será.
"Novos Horizontes" (se não for isso, o que será?):
Atualmente, Humberto Gessinger não está mais a frente dos Engenheiros do Hawaii e roda o país com o Pouca Vogal, sua dupla com Duca Leindecker (Cidadão Quem).
Enquanto isso, a dona dessa história expandiu ainda mais seus horizontes musicais e hoje é viciada em bandas independentes, nacionais ou não.
P.s: esse texto deveria ir pro meu blog de música. Mas ele ACABOU, só para informar.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Um dia
E, enquanto não há com quem compartilhar, ele fica lá, azucrinando, machucando, querendo sair sem ter para onde ir. Mas é melhor ter esse amor do que não ter nenhum. Agora, ele está ali, preso, esperando o dia de se libertar.
Sinto-me bem, assim. Saber que se pode amar mesmo sem ter a quem é melhor do que distribuir esse amor a quem não o quer!
segunda-feira, 31 de maio de 2010
terça-feira, 25 de maio de 2010
Cat Power (Porto Alegre, 20-05-2010)
Um dos shows mais absurdamente lindos que já vi. Com o tempo, vou adicionando mais vídeos. E viva o Youtube!
The Greatest + Lived in Bars
Metal Heart
quinta-feira, 13 de maio de 2010
O começo
Ali, sem ninguém por perto, ele descobrir que estava diante de algo muito mais interessante que um rostinho bonito. A capacidade de impor-se, a força que transmitia, a força de personalidade, o erotismo; tudo isso o encantou. Deu-se conta que, para o bem ou para o mal, não havia, até então, conhecido alguém como ela.
Aquela situação fez com que sentisse algo muito estranho. Algo que já havia sentido, mas nunca de forma tão imediata e intensa. Era assustador. Mas, ao mesmo tempo, naquele momento, era o sentimento mais bonito que já o acometera. De outra forma, não se pode dizer que a noite tenha sido perfeita. Alguns probleminhas de percurso ocorreram e, acho que para ela, a situação foi meio decepcionante. Tudo levava a crer que aquela seria uma noite como qualquer outra, onde um cara conhece uma mulher interessante, os dois aproveitam (ou não) o momento e, seguem seu rumo.
Claro. Era isso o que aconteceria, não fosse o fato de, no momento em que ela dormiu, ele estava abraçado nela. Para não acordá-la, assim passou a noite inteira. E nas horas que passaram até o despertar dela, ele a admirou e, sentindo o corpo dela junto ao seu, se enamorou.
Ela acordou, e ele a beijou e a abraçou como se aquela fosse a única coisa que ele poderia fazer. E, quando ela sorriu, ele deixou escapar aquilo que já tinha certeza: “acho que estou me apaixonando por ti”. E, pela primeira vez na vida, ele percebeu que poderia estar amando alguém!
A história deles, depois disso, todo mundo sabe.
domingo, 9 de maio de 2010
terça-feira, 27 de abril de 2010
Eu preciso dizer que te amo
terça-feira, 13 de abril de 2010
Apesar dos pesares
domingo, 4 de abril de 2010
Quando éramos jovens.... e inocentes
Ela era quatro anos mais velha. Desiludida com a Publicidade e Propaganda. Mesmo assim, estava decidida a se formar. O motivo? O mesmo da grande maioria dos jovens prestes a terminar a faculdade, que acordam, numa bela manhã de sol, com a certeza de que tudo o que fizeram até então não tinha o menor sentido: para não causar (mais uma) decepção aos pais.
Ela era meu extremo oposto, neste sentido. Aos 18 anos, era um sonhador. Tinha um ideal. Acreditava que podia mudar as coisas. Que estava aqui para fazer A diferença. Mais que isso, tinha um sentimento de pena pela grande maioria dos adultos – o que incluía os meus pais. Acreditava que eles padeciam de alguma fraqueza que os fazia desistir de seus sonhos. Como uma doença degenerativa, que costuma se manifestar nos que têm maus hábitos. Uma espécie de diabetes moral.
Mas isso não era tudo. Na época, TINHA CERTEZA que era imune a esta diabetes. Afinal, eu tinha sonhos, aspirações e a CONVICÇÃO de que o mundo estava ali, bem na minha frente, esperando para ser mudado. Melhor. O mundo estava ali, bem na minha frente, SUPLICANDO para ser mudado. E eu estava ali, bem na frente do MUNDO, com a missão e com a FORÇA necessária para mudá-lo. Não havia como dar errado. Eu sabia o CAMINHO. Eu tinha a ARMA. Era o JORNALISMO.
Lembre-se. Naquele tempo eu não trabalhava, havia recém começado a graduação e tinha a inocência que só os jovens de 18 anos conseguem e têm o direito de sentir. Não me passava pela cabeça que alguém realmente ciente de todos os problemas pelos quais passávamos pudesse, simplesmente, dormir oito horas por noite, tomar café, passar o dia inteiro sentado em uma cadeira cheia de papéis e afazeres cotidianos, ir ao supermercado, voltar para casa, foder sem sentir prazer, dormir oito horas na noite seguinte... Como se nada mais existisse em volta.
Aquilo não fazia sentido. Ninguém se preocupava com as pessoas que passavam fome? Com as guerras, com o desmatamento e a extinção dos animais? Ninguém ligava para a poluição do planeta nem percebia que as sacolas plásticas são uma praga do capeta? Quanta INSANIDADE.
Mas havia solução. Claro. E eu sabia qual era. Eu tinha o poder de mudar tudo aquilo. Nem que fosse sozinho. Porque, em breve, eu seria um jornalista. Afinal, não foi Voltaire quem asseverou que a pena é mais poderosa que a espada, ou algo assim? E ele não podia estar errado.
Mas naquela noite, naquela quarta-feira gelada de agosto, aquela moça me fez refletir, pela primeira vez, se eu realmente estava certo. Mentira. Após dois litros de vinho circa, as únicas coisas que refletiam eram seus olhos embriagados. Mas uma coisa há de ser dita. Alguma coisa foi plantada dentro de mim, naquele momento. Como se a diabetes moral pudesse ser transmitida pelo contato direto com uma pessoa portadora bastando, para tanto, estar próximo – e possuir alguns maus hábitos.
E foram justamente aqueles olhos, cheios de torpor, que foram os responsáveis pela minha infecção. Grandes olhos castanhos, atentos e despertos. Mas de uma tristeza absurda. A tristeza que só aqueles que perdem a guerra da maturidade conseguem expressar. Ela tinha, dentro dela, a dor de quem perdeu a inocência. Dos que percebem que não podem mudar o mundo. Seus olhos me mostravam que não, a Publicidade não era o instrumento pelo qual ela mudaria o mundo. E o pior, queriam me confidenciar que NADA, absolutamente NADA teria serventia neste sentido.
Mas, como disse, naquele momento pouco – ou nada – me interessava o significado daquela percepção. O vinho e as risadas disfarçavam a dor da ocasião. E era só o começo de uma noite agradável a dois.
Os anos passaram, num belo dia de sol, acordei e pensei “o que exatamente eu estou fazendo aqui?”. Fui tomado por algum tipo de amnésia seletiva. Lembrava de tudo. O que havia feito no dia anterior; os cinco anos dormindo oito horas por noite (às vezes um pouco menos, claro), tomando café, trabalhando numa mesa cheia de papéis e afazeres cotidianos, indo ao supermercado, fazendo sexo sem prazer, dormindo oito horas... Recordava, inclusive, daquela moça, que não via há mais de dois anos.
Só que havia uma coisa que eu não tinha a menor ideia. Como diabos eu iria transformar o mundo? A resposta para a pergunta, até então absurdamente óbvia, se tornou totalmente desconhecida. Ou inútil.
Minha existência deixou de fazer sentido, naquele momento. Toda a minha crença havia, do dia para a noite, se transformado em NADA.
Foram tempos difíceis. Me sentia perdido, sem norte. Não tinha perspectivas, não tinha mais, a mínima suspeita sobre qual era minha missão. Entrei em depressão.
Eu, contudo, não sabia de mais uma coisa. Em uma outra bela manhã de sol, acordaria e perceberia que, embora eu não conseguisse carregar o mundo nas costas, havia uma saída. Eu poderia fazer pequenas coisas, que não transformariam o planeta, mas que contribuiriam para, pelo menos, diminuir algumas mazelas.
Hoje parece batido falar essas coisas. Mas foram anos para eu ter essa visão sobre as coisas. E, principalmente, foi algo muito trabalhoso. Lá onde eu venho, isto se chama AMADURECER.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
O Flautista de Hamelin
Flautista de Hamelin
Há muito, muitíssimo tempo, na próspera cidade de Hamelin, aconteceu algo muito estranho: uma manhã, quando seus gordos e satisfeitos habitantes saíram de suas casas, encontraram as ruas invadidas por milhares de ratos que iam devorando, insaciáveis, os grãos dos celeiros e a comida de suas bem providas despensas.
Ninguém conseguia imaginar a causa de tal invasão e, o que era pior, ninguém sabia o que fazer para acabar com tão inquietante praga.
Por mais que tentassem exterminá-los, ou ao menos afugentá-los, parecia ao contrário que mais e mais ratos apareciam na cidade. Tal era a quantidade de ratos que, dia após dia, começaram a esvaziar as ruas e as casas, e até mesmo os gatos fugiram assustados.
Ante a gravidade da situação, os homens importantes da cidade, vendo perigar suas riquezas pela voracidade dos ratos, convocaram o conselho e disseram: Daremos cem moedas de ouro a quem nos livrar dos ratos.
Pouco depois se apresentou a eles um flautista taciturno, alto e desengonçado, a quem ninguém havia visto antes, e lhes disse: "A recompensa será minha. Esta noite não haverá um só rato em Hamelin".
Dito isso, começou a andar pelas ruas e, enquanto passeava, tocava com sua flauta uma melodia maravilhosa, que encantava aos ratos, que iam saindo de seus esconderijos e seguiam hipnotizados os passos do flautista que tocava incessantemente.
E assim ia caminhando e tocando, levou-os a um lugar muito distante, tanto que nem sequer se poderia ver as muralhas da cidade.
Por aquele lugar passava um caudaloso rio onde, ao tentar cruzar para seguir o flautista, todos os ratos morreram afogados.
Os hamelineses, ao se verem livres das vorazes tropas de ratos, respiraram aliviados. E, tranqüilos e satisfeitos, voltaram aos seus prósperos negócios e tão contente estavam que organizaram uma grande festa para celebrar o final feliz, comendo excelentes manjares e dançando até altas horas da noite.
Na manhã seguinte, o flautista se apresentou ante o Conselho e reclamou aos importantes da cidade as cem moedas de ouro prometidas como recompensa. Porém esses, liberados de seu problema e cegos por sua avareza, reclamaram: “Saia de nossa cidade! Ou acaso acreditas que te pagaremos tanto ouro por tão pouca coisa como tocar a flauta?".
E, dito isso, os honrados homens do Conselho de Hamelin deram-lhe as costas dando grandes gargalhadas.
Furioso pela avareza e ingratidão dos hamelineses, o flautista, da mesma forma que fizera no dia anterior, tocou uma doce melodia uma e outra vez, insistentemente.
Porem esta vez não eram os ratos que o seguiam, e sim as crianças da cidade que, arrebatadas por aquele som maravilhoso, iam atrás dos passos do estranho músico. De mãos dadas e sorridentes, formavam uma grande fileira, surda aos pedidos e gritos de seus pais que, em vão, entre soluços de desespero, tentavam impedir que seguissem o flautista.
Nada conseguiram e o flautista os levou longe, muito longe, tão longe que ninguém poderia supor onde, e as crianças, como os ratos, nunca mais voltaram.
E na cidade só ficaram a seus opulentos habitantes e seus bem repletos celeiros e bem cheias despensas, protegidas por suas sólidas muralhas e um imenso manto de silêncio e tristeza.
E foi isso que se sucedeu há muitos, muitos anos, na deserta e vazia cidade de Hamelin, onde, por mais que se procure, nunca se encontra nem um rato, nem uma criança.
Sim, a história é uma recriação de uma lenda germânica do século XIII - ou, talvez, de um relato real, não se sabe - que narra um acontecimento pra lá de estranho em que todas as crianças da cidade de Hamelin desaparecem misteriosamente. Entre as versões para o ocorrido, está a de um serial killer que atacava as crianças daquela região. Se é verdade, não sei.